12. Experiências Musicais: processos de sensibilidade, sociabilidade e memória
Adriana Fernandes(UFG)
Márcia Ramos de Oliveira(UDESC)
Geni Rosa Duarte (UNIOESTE)
As experiências musicais constituem-se em eventos que conjugam de forma concomitante as sensibilidades do individual e do coletivo compondo um tecido social denso de significados. Através destas experiências os indivíduos desenvolvem e estabelecem formas de conhecimento e entendimento das realidades nas quais estão imersos e com isso novas relações são estabelecidas afim de se adequar e se adaptar a estas realidades de maneira rápida e eficiente, tendo em vista a sua alta mutabilidade. Estas experiências musicais são entendidas no sentido amplo, envolvendo o fazer musical, ao tocar/interpretar um instrumento, ao ouvir, ao se expressar sonora e corporalmente e, por isso também integra a dança, enquanto parte deste processo de experimentação musical, enquanto expressão corpórea. Assim, as experiências que envolvem a música trabalham de forma privilegiada o individual e o coletivo porque existe aí um diálogo tão intenso que as fronteiras se transformam em novos espaços marcados pela transitoriedade, criatividade e negociação de identidades. Estes novos espaços criados pelas experiências musicais se configuram física e psicologicamente pois envolvem as emoções externadas e compartilhadas e internamente experienciadas durante o processo, afetando e modificando o “eu”, as visões de mundo, os comportamentos e o arcabouço histórico-cultural onde elas ocorrem. É exatamente por criar novos espaços marcados pela transitoriedade que envolvem diretamente as sensibilidades que estas expressões também têm componentes políticos que afetam diretamente a vida destes indivíduos e destas coletividades. Procura-se compreender estes espaços também como expressão dos diferentes recursos midiáticos envolvendo a comunicação pela música através dos meios pelos quais é difundida e registrada, de acordo com os diferentes formatos em que venha a expressar-se, a exemplo da internet, da televisão, do cinema, dos Cds e Dvds, Lps, entre outros, constituindo-se em suporte da memória enquanto tal. Assim posto, este mini-simpósio tem por objetivo discutir e aprofundar o entendimento destas experiências musicais, quer seja do ponto de vista histórico, filosófico, psicológico, antropológico, sociológico e /ou artístico, porque possuem um papel significativo na conformação das sensibilidades e consequentemente afetando as sociabilidades e sua memória.
13. Entre o tilintar dos talheres e as cores das casacas: imaginário, representação e sensibilidade nos processos de independência do século XIX.
José Alves Neto (UNICAMP)
Eduardo José Reinato (UCG)
Com a aproximação das comemorações do bi-centenário das independências, faz-se necessário uma retomada do olhar que proponha uma rediscussão do imaginário e das representações contidas nesses processos. Tanto na América Espanhola quanto na Portuguesa, as lutas e articulações políticas produziram uma infinidade de representações, estratégias discursivas, bem como imagens incorporadas pela historiografia, sobre os pais fundadores e mesmo sobre o desenrolar das guerras e da formação dos Estados e processos políticos de geração dos Estados Nacionais. Por meio de diversas estratégias discursivas, caricaturas, imagens mentais e pictóricas construiu-se uma memória e uma formatação histórica para o processo de independência. A intenção desse mini-simpósio é o de permitir uma rediscussão sobre os processos de independência na América através de uma revisão das formas tradicionais de análise do fenômeno histórico das emancipações. Da mesma maneira, objetiva-se com esse mini-simpósio em resgatar o sistema de representações que compõem o imaginário social, ou seja, a capacidade humana e histórica de criar um mundo paralelo de sinais que se integra à produção de aspectos da realidade, recuperando, a partir dos processos de descolonização das Américas, a voz e sentido das fontes ainda pouco exploradas nos trabalhos tradicionais, como cartas, diários pessoais e políticos, representações pictóricas e literárias do acontecimento das independências. Apontamos a importância da complementaridade de fontes (escritas e iconográficas) em pesquisas de história dos processos de Independência na América, destacando as possibilidades de diálogo entre elas. Com os procedimentos metodológicos da história cultural, torna-se possível perceber as estratégias discursivas e as representações que permitiram os diversos atores dos processos de independência na América, a elaboração de um espaço privilegiado para captar, naquele momento histórico, as articulações com uma estética, bem como, as negociações de idéias e imagens com a construção de mitos fundadores do imaginário das nações emergentes.
14. Narrativas de Viagem e as Representações do Brasil
Kátia Aily Franco de Camargo (UFRN)
Karen Macknow Lisboa (UNIFESP)
O objetivo central deste mini-simpósio temático é refletir a respeito da importância da narrativa de viagem, seja ela real ou imaginária, dos relatos, das páginas avulsas vindas de além-mar e das representações nelas contidas sobre o Brasil, sobretudo, ao longo dos séculos XIX e XX. A viagem textual e o intercâmbio cultural daí decorrente, o diálogo entre a Literatura e a História e outras áreas afins contribuem enormemente para a elaboração da hetero-imagem e também da auto-imagem do brasileiro. Sendo a imagem aqui entendida como uma tomada de consciência do eu em contraposição ao outro; é a expressão, literária ou não, de um distanciamento significativo entre duas ordens de realidades culturais, ou, ainda, a representação de uma realidade cultural por meio da qual, aqueles que a elaboraram, revelam e traduzem seu próprio espaço cultural e ideológico.O estudo da imagem e/ou representação deve, portanto, se apegar menos ao nível de “realidade” de uma imagem, de sua fidedignidade, do que à sua conformidade com um modelo, um esquema cultural que lhe é preexistente na cultura que observa e não na cultura observada, da qual é importante conhecer os fundamentos, as composições e a função social. O momento histórico e a cultura determinam, assim, aquilo que pode ser dito sobre o outro.Procurar-se-á, dessa maneira, abarcar o tema da viagem ao Brasil e os sub-temas dele decorrentes (paisagem edênica, população autóctone, beleza feminina, ausência de civilização, etc.) como uma conexão entre tempos distantes, corpus variado e áreas diversas do saber.
15. Atlas das Emoções: cartografias, narrativas e topologias na história da arte e nas visualidades contemporâneas
Márcio Pizarro Noronha(UFG)
Rosemary Fritsch Brum(UFRGS)
A convergência entre as linguagens e os sistemas artísticos e estéticos, a presença dos elementos de uma cultura (áudio)visual e de signos transmidiais, paralelamente a uma sensibilidade de propagação dos modelos estéticos para a experiência e a existência cotidiana, com uma crescente exploração de formas literárias na ordenação da vida digital, por exemplo. Assim, ampliam-se os procedimentos e as estratégias estéticas, dissolvem-se especificidades das linguagens tradicionais no amplo campo da estética pop-internacional e permite-se a geração de novas formas arte, tais como a recente ascensão dos grafites, h.q. e, mais recente, do videogame. Sensibilidades, narrativas e sociabilidades se constituem. Fundamentando-se na experiência dos procedimentos de leitura das singularidades e da subjetivação (nas matrizes do trajeto de uma história cultural da psicanálise e seus desdobramentos), procuramos abordar esta constituição tal como se fora um trajeto (cartografia), na co-figuração de tramas, fluxos e na organização de comunidades de compartilhamento, articulados em regimes, ordens e estruturas da linguagem (topologias) de formações subjetivas, formando o que a historiadora GIULIANA BRUNO denomina de “Atlas da Emoção”. Os objetos são os mais diversos, envolvendo desde ações culturais e performances (sociais e artísticas), oralidades e chegando à constituição de regimes textuais – blogs, programas de mensagem, sites de comunicação, programas baseados em interatividade. O simpósio, parceria iniciada no ano de 2007 no encontro internacional de história (Goiânia) bem como no encontro internacional da Abralic (2006) e no regional de SP (2007), acompanha a sinalização expansiva do crescente número de pesquisas em linguagens e, mais especialmente, no campo das artes e da História da Arte que estão sendo desenvolvidas nos programas de pós-graduação da área. A perspectiva envolve a apresentação de estudos teóricos, metodológicos, analíticos, descritivos, de crítica e interpretação e, ainda, quando envolver processos artísticos, a abertura para as formas experimentais nos regimes textuais. São questões: o entrecruzamento arte-cultura no campo da pesquisa histórica, as relações entre teorias da visualidade e cultura visual e as tensões/reinvenções nas relações entre linguagens artísticas e experiência.
16. História, Cultura e Viveres Urbanos
Luiz Felipe Falcão (UDESC)
Robson Laverdi (UNIOESTE)
Cidades são construtos que combinam concentração demográfica num território contíguo, divisão social do trabalho no seu interior e diferenciação sociocultural entre seus habitantes. Na contemporaneidade, com o advento das grandes cidades, é possível agregar a isto o predomínio de uma economia monetária regendo a produção e a circulação das mercadorias, associado a um modo intelectualizado de lidar com a vida e à afirmação de dois tipos contraditórios, mas em certo sentido complementares, de individualismo, ou seja, de um lado aquele que acentua a ruptura de quaisquer vínculos que subordinam uns indivíduos a outros, buscando assim garantir liberdade de movimento e tratamento igualitário para todos, e, de outro lado, aquele que procura assegurar a todo custo a distinção conferida pelas singularidades, rechaçando por esta via as tendências à padronização. Com isto, torna-se evidente uma das principais características da cidade, notadamente da cidade contemporânea, que é a dela se constituir em lugar do encontro de estranhos e da instituição de territórios e fronteiras conformadas por linhas ora permeáveis, ora intransponíveis, nem sempre visíveis e palpáveis, mas claramente sentidas e permanentemente embaralhadas. Em outras palavras, local do estabelecimento de relações tecidas por diferentes indivíduos e grupos que se aproximam por atração, curiosidade ou necessidade e se acham separados ou se separam a todo instante pela condição de nascidos nela ou fora dela, pelas divisões (sociais, culturais, etárias, de gênero ou de outros matizes) que abriga, com toda a gama de tensões e conflitos daí derivados, pelas incertezas e inseguranças que estimula e potencializa. Espaço, enfim, que, inserido numa determinada temporalidade, comporta variados viveres manifestos em sinais, códigos e experimentações que os referenciais da História ajudam a perceber e a interpretar.
17. Sensibilidades e Sociabilidades no Ensino de História
Jocyléia Santana dos Santos (UFT)
Maria de Fátima Oliveira (UEG)
O ensino de História vem passando por um longo e contínuo processo de revisão e reformulação devido principalmente à ampliação das fronteiras do conhecimento histórico. A análise de tal processo não pode ser feita sem levar em conta as mudanças ocorridas nos métodos da pesquisa histórica e na diversificação das fontes e das abordagens que se refletiram na escrita e no ensino da disciplina História. Nesse ínterim, verifica-se a tentativa de incorporação de uma pluralidade de manifestações de experiências humanas – cinema, literatura, música, televisão, imprensa, teatro e outros - ao ensino de História, criando a necessidade de se rever o processo de ensino-aprendizagem. Como o exercício pedagógico acompanha as mudanças que se processam no “fazer histórico”, torna-se imperativo pensar sobre essa relação e sobre uma prática de ensino de História que se adeque às novas exigências que se apresentam. Inerente a essa discussão estão diretrizes presentes nas políticas educacionais e especificamente, nos Parâmetros Curriculares Nacionais e na avaliação do livro didático. O Mini-Simpósio “Sensibilidades e Sociabilidades no Ensino de História” objetiva, portanto: a) agregar profissionais de História cujas preocupações sejam as mudanças conceituais, os projetos e as práticas do ensino de história; b) problematizar a teoria a partir da ação pedagógica concreta do conhecimento histórico; c) possibilitar uma reflexão sobre tais mudanças por meio de discussões e criticas e d) sugerir propostas com base em experiências vivenciadas em sala de aula. As sensibilidades refletem a necessidade de novas propostas e as sociabilidades, as trocas de experiências pedagógicas nas práticas e táticas do ensino de História.