Vermeer, Jan. The Love Letter. 1669-70, oil on canvas. Rijksmuseum, Amsterdam


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Minissimpósios

(Sessão encerrada)


Coordenadores/as minissimpósio: O mini-simpósio deverá ser proposto por dois doutores de diferentes instituições. Os/as interessados/as na coordenação de mini-simpósios devem preencher a ficha de proposição de minissimpósio e enviá-la, em anexo, para o e-mail
historiacultural2008@ucg.br, até o dia 07.03. Essa ficha encontra-se devidamente formatada e não deve ser alterada (arquivo na extensão Word, tamanho do papel A4, fonte TNR, tamanho 12, espaçamento simples).
Serão aprovados somente dezessete (17) minissimpósios com espaço para a apresentação de vinte e quatro (24) comunicações, ao todo (oito comunicações por dia).  

Propostas de Minissimpósios
17 minissimpósios, com 24 participantes.
Cada minissimpósio deve ser proposto por dois doutores de diferentes instituições e estados e como participantes aceitam-se doutores e doutorandos, mestres e mestrandos.

Calendário dos Minissimpósios
Janeiro e fevereiro de 2008: Divulgação do site do IV Simpósio Nacional de História Cultural em janeiro e abertura das proposições dos minissimpósios até 07.03.08, devendo a proposta ser enviada para o site do evento, no setor indicado (incrições por modalidade).

Março de 2008: Seleção dos minissimpósios pelo Comitê Científico, com divulgação dos aceitos em 20.03.08 no site do IV SNHC, procedendo-se os ajustes necessários até 31.03.08.• Ficha para proposição de Minissimpósio .doc

Os coordenadores dos minissimpósios selecionados são isentos da taxa de inscrição.

 
MINISSIMPÓSIOS SELECIONADOS
Cada um dos 17 minissimpósios acolherá 24 comunicações.
 
1. História, Fotografia e Cultura Visual: reflexões sobre o estatuto das imagens, formas de produção e usos sociais no tempo.
Charles Monteiro (PUCRS)
Solange Ferraz de Lima (USP)
Este mini-simpósio propõe-se a ser um espaço de discussão teórica e metodológica plural de estudos sobre imagem, cultura visual, regimes e padrões de visualidade, bem como de questões relativas ao olhar e a visão como construtos artísticos, científicos, culturais, políticos e sociais no tempo. Pretende-se discutir também as relações entre imagem e tempo e imagem e espaço, visando a problematizar o estatuto das imagens e as diferentes formas de interpretá-las. São relevantes estudos sobre os circuitos de produção, circulação e usos sociais das imagens, visando à compreensão da construção no tempo de representações, significados e disputas sociais a partir das imagens.Nesse sentido, serão aceitas comunicações relativas a pesquisas que mobilizem a fotografia e seus derivados técnicos (processos fotomecânicos tais como fototipia, fotogravura e afins) bem como pesquisas que explorem aspectos da cultura visual viabilizada pelos processos de reprodutibilidade técnica, na segunda metade do século XIX e no século XX (foto-jornalismo, publicidade, quadrinhos, etc.). O mini-simpósio abrirá espaço também para comunicações relativas a experiências de tratamento físico (conservação) e documental (projetos de catalogação, banco de dados) de acervos de documentos visuais com o intuito de aproximar a pesquisa das formas de preservação patrimonial, atividades que merecem ser vistas como indissociáveis na produção de conhecimento histórico.A organização das comunicações em mesas-redondas coordenadas por um debatedor, procurará articular a discussão ao redor de questões teórico-metodológicas, formais e temáticas.
 
2. Ilustração e Cultura no Século XVIII
Luiz Carlos Soares (UFF)
Daniela Buono Calainho (UERJ)
Em geral o movimento intelectual e cultural do século XVIII, conhecido como “Ilustração” ou “Iluminismo”, tem sido abordado pela historiografia especializada na sua dimensão filosófica e científica. Para muitos historiadores, a “Era das Luzes” se reduziria a estes dois campos do saber, enfatizando, sobretudo, seus aspectos vinculados ao racionalismo, ao anti-clericalismo, à tolerância religiosa, ao reformismo político-social, etc. Obviamente, nosso objetivo não é a negação desta dimensão da Ilustração e de suas características fundamentais, mas, sim, o de pensar este movimento intelectual numa perspectiva muito ampla do que aquela relacionada aos campos da filosofia e da ciência. A Ilustração foi um movimento que abarcou os mais diversos domínios da cultura no continente europeu e nas Américas no século XVIII, estendendo seus efeitos até o século seguinte. Além da filosofia e da ciência, os principais pontos de reflexão e inquietação dos intelectuais ilustrados podiam ser encontrados na literatura, na poesia, no teatro, na música, nas artes plásticas, etc., enfim nas mais diversas manifestações culturais.Aqui, coloca-se a fundamentação maior de nossa proposta no sentido de rejeitar um divórcio que coloca a filosofia e a ciência de um lado e as “artes” em geral de um outro. É importante frisar que os próprios intelectuais do século XVIII, protagonistas do movimento ilustrado, rejeitavam esta separação radical. Voltaire, que é considerado um dos precursores do movimento ilustrado na França, já apontava para a necessidade de reconhecimento da “unidade da razão” e das suas “especificidades” – ou seja, os diversos domínios do saber humano –, na sua prática intelectual como poeta, literato, filósofo natural newtoniano e pensador social. D’Alembert, no célebre “Discurso Preliminar” da Enciclopédia, também referendava esta perspectiva Voltaireana, também reconhecendo, ao mesmo tempo, a unidade racional e sua manifestação indiferenciada nos diversos campos do saber. É com este intuito que estamos propondo um mini-simpósio que possa problematizar a Ilustração como um movimento intelectual que possui uma certa unidade, mas que se caracteriza também por abarcar uma diversidade de campos da cultura humana, que incluem a filosofia, a ciência e as artes.
 
3. Escravismo, culturas, saúde e trabalho: séculos XVI-XIX
Eduardo França Paiva (UFMG)
Paulo Staudt Moreira (UNISINOS)
Formas de sociabilidade e de sentimentos em sociedades escravistas e mestiçadas; saúde, doenças e práticas de cura; representações de mestiçagem; vivências e inserções de libertos em sociedades escravistas; trajetórias individuais e perspectivas comparadas. Estudos sobre o universo escravista moderno a partir da História Social da Cultura.
 
4. A Arte de Inventar o Passado
Durval Muniz Albuquerque Júnior (UFRN)
Edwar de Alencar Castelo Branco (UFPI)
O simpósio é proposto no sentido de reunir pesquisadores cujos interesses temáticos e teóricos façam a articulação entre História e ficção. Os trabalhos comunicados deverão incidir sobre as complexas mediações culturais que articulam a concreticidade da vida humana às representações subjetivas que a expressam, conformando sensibilidades através das quais são constituídas as sociabilidades de cada tempo. Desse modo, o simpósio procurará pensar sobre as estratégias através das quais nós inventamos, especialmente através de esforços estéticos, o nosso mundo. Imagina-se que será possível reunir trabalhos que abarquem os mais variados estudos sobre esta complexa relação entre real e ficção, o que permitirá, dentro do espírito de favorecer uma constante ampliação do campo conceptual da História, refletir sobre o potencial de interesse, para os estudos históricos, de categorias como cinema, literatura, música e artes plásticas. Os debates, no interior do simpósio, poderão ser, por um lado, articulados à idéia de que, entre “incertezas e inquietudes” (Chartier, 2002), a História tende, crescentemente, a se abrir a novas referências temáticas, enquanto, por outro lado, ao se reconhecer como uma proto-arte (Albuquerque Júnior, 2007), a qual oscila entre os critérios de cientificidade e as exigências estéticas de seu discurso, a História pode, finalmente, pensar sobre um “mundo verdadeiro das coisas de mentira” (Pesavento, 2002) sem se sentir necessariamente à beira do precipício. Trata-se, portanto, de um simpósio que é proposto com o intuito de, a pretexto de uma ampla reflexão sobre a relação entre História e ficção, favorecer a socialização, entre os simposiastas que a ele aderirem, das principais referências conceituais com as quais operam aqueles historiadores que desenvolvem pesquisas ambientadas nas letras e nas artes.
 
5. Cinema-História Como Laboratório da Razão Poética
Jorge Luiz Bezerra Nóvoa (UFBA)
Marcos Antônio da Silva (USP)
As novas tecnologias áudio-imagéticas, em especial as de suporte digital, abriram um imenso potencial para criação de novas representações do real e do imaginário sócio-histórico e novos caminhos para a construção de novas possibilidades de narrativas para a história. As imagens e os sons da história provocam uma razão contaminada de emoção, quer no processo ensino/aprendizagem, quer no da produção do conhecimento. Prognosticamos que não pode existir separação absoluta entre razão e emoção. O laboratório da relação cinema-história pela própria natureza é o mais fecundo para ajudar à razão assumir os sentimentos que já são seus e é o que podemos chamar de razão-poética.O Mini-Simpósio que propomos tem, pois, o objetivo de agrupar pesquisadores de diversos níveis e de diversas áreas em torno da problemática-objeto, cinema-história, numa abordagem transdisciplinar e em perspectiva tanto epistemológica, como empírica, considerando suas complexas relações. Cinema-história como teoria também, nos permite não abordar exclusivamente a história do cinema (ou dos demais audiovisuais e suportes, vídeo, tevê, VT publicitário, etc.) como história de uma obra de arte ou suporte apenas. Apreender o cinema como obra de arte se insere nas nossas pesquisas e reflexões, mas de modo subordinado à preocupação mais ampla sobre a relação ainda mais complexa entre o cinema e a história. Tal complexidade inerente a essa relação permite incluir reflexões não apenas de imagens animadas (cinema, propaganda, TV, etc.), mas também de imagens paradas (fotografias charges, HQs, etc). A relação cinema-história poderá ser abordada no nosso Mini-Simpósio como objeto de pesquisa, como fonte primária e como discurso da e sobre a história. Pode também ser abordada como lugar de memória ou como representações que se voltam tanto para as construções sobre o presente, quanto para aquelas que buscam reconstruir o passado. Pode, ainda, ser abordada como lugar do imaginário ou também da perspectiva das linguagens e suportes, inclusive para o ensino da história. A palavra cinema adquiriu assim, um sentido largo por comportar na sua construção todas as outras formas imagéticas.
 
6. Patrimônio Material e Imaterial: Espaços de Memória, Lugares de Identidade
Luiz Fernando Beneduzi (UNIBO-Itália)
Adélia Miglievich Ribeiro (UENF)
O presente mini-simpósio propõe-se a discutir questões vinculadas à produção de memórias e identidades coletivas (nacionais, étnicas, de diferentes grupos sociais) a partir de vestígios mnemônicos presentes em fragmentos do passado, seja em espaços urbanos seja em rituais e tradições comunitárias. Mais do que um recorte temporal ou espacial, a preocupação central do mini-simpósio é aprofundar o dialogo acerca dos desdobramentos teóricos das pesquisas com patrimônio e memória e as novas possibilidades metodológicas de pesquisa. No entanto, é importante ressaltar que as atividades não são propostas em uma chave eminentemente teórica, mas em uma análise que parte de uma pesquisa concreta, um estudo de caso. Outrossim, o diálogo interdisciplinar é desejado, sobretudo entre a História Cultural e outros domínios do saber tais quais a Sociologia, a Antropologia e a Literatura.As discussões sobre patrimônio no Brasil e a criação de institutos de preservação patrimonial remontam aos anos 1930; no entanto, atualmente, a temática tem gerado uma grande quantidade de estudos e encontros de discussão. Essa efervescência certamente está relacionada com processos inerentes ao fluxo modernizador do qual a sociedade brasileira não se isentou nas últimas décadas no processo maior de globalização, o qual cria a necessidade de uma busca contínua de reconhecimento e de pertencimento de pessoas e grupos. Na sociedade moderna, produz-se o novo e se aspira ao novo num ritmo febril que é curiosamente acompanhado pela (re)invenção de raízes, âncoras e rotas quando se faz imperativo preservar o velho, muitas vezes recriando ou criando um passado coletivo. Os indivíduos experimentam uma sempre renovada necessidade de se reestruturar; eles devem constantemente atualizar as suas identidades, as quais serão marcadas pelo novo tempo, pelas novas reminiscências: o mesmo “eu” será sempre um “outro”.Pensando nessas dinâmicas, a idéia do mini-simpósio vem ao encontro da problemática central do IV Simpósio Nacional de História Cultural, na medida em que as múltiplas leituras de vestígios do passado, que produzem lugares de memória e trazem à luz identidades, são marcadas por sensibilidades de sujeitos imersos em processos de sociabilidade em temporalidades históricas. Nesse sentido, as leituras acerca do patrimônio são, também, uma forma historicamente construída de ler os sinais sensíveis do passado, representando experiências individuais e/ou coletivas na História.
 
7. A Festa: expressão de sociabilidades e sensibilidades.
Jaime de Almeida (UNB)
Ana Guiomar Rego Souza (UFG)
A crise dos paradigmas explicativos da realidade colocou a civilização ocidental frente à necessidade de revisar seus pressupostos: grandes certezas ideológicas como a crença em verdades absolutas, a busca por explicações universalistas, o mecanicismo, a fé cega no racionalismo instrumental, entram em declínio por sua incapacidade de elucidar a complexidade existencial. Do processo resultou um novo paradigma caracterizado por palavras como sistêmico, holístico e ecológico, o que significa conceber o mundo como um todo dinâmico, indivisível, cujas partes dialogam entre si e com o todo. A vida é vivida em muitos níveis que se entrelaçam, constituindo uma trama cuja coerência e lógica só podem ser desvendadas por um tipo de pensamento capaz de compreender que a realidade comporta mistérios, ambigüidades, instabilidades, contradições; que entende o homem como é um ser não só de racionalidade, mas, igualmente, de sensibilidade. Essa consciência abre-se, cada vez mais, para o reconhecimento de sociabilidades que repousam, para além das grandes utopias da modernidade, em uma sinergia que integrando a razão e o sensível cimentam o viver em coletividade. Conjunção que aparece de forma paroxística nas festas e comemorações. Sendo assim, neste mini-simpósio propomos pensar as manifestações festivas como vias privilegiadas de acesso à história das sensibilidades e das sociabilidades; como um espaço privilegiado para captar o jogo entre memórias e esquecimentos, entre idéias, imagens, gestos, sons, articulados na construção do imaginário de distintos grupos em deferentes tempos.
 
8. O Outono do Corpo: diálogos entre literatura e história da sensibilidade na escrita do eu.
Marina Haizender Ertzoque (UFT)
Cléria Botelho da Costa (UNB)
Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante (UCG)
Os ensaios e introduções de W. B. Yeats são exemplares como documentos do eu que evocam sentimentos ou são testemunhos de um momento pessoal. No início de ‘O outono do Corpo’, Yeats relembra: Muitas vezes nossos pensamentos e emoções não são mais do que a espuma lançadas por misteriosas marés de uma lua que ninguém vê. Lembro-me de que, ao tentar escrever pela primeira vez, queria delinear a aparência das coisas tão vivamente quanto possível.Em torno da intimidade criada ao redor das experiências e das relações entre escritor, leitor e texto, desenvolve-se um tom na literatura que até esse momento não a abandonou: o tom íntimo de uma literatura igualmente íntima. Este simpósio tem como proposta o diálogo entre a literatura e a história das sensibilidades na perspectiva da escrita do eu, onde inclui-se estudos sobre diários íntimos, memórias, cartas, autobiografias.
 
9. Usos Sociais e Políticos das Fontes Visuais: potencialidades para a pesquisa e o ensino de história
Kalina Vanderlei Silva (UPE)
Maria da Conceição Francisca Pires (Casa Rui Barbosa)
Atualmente é extenso o número de trabalhos acadêmicos próximos ao tema “usos sociais e políticos de imagens na História do Brasil”. Um olhar panorâmico sobre tais pesquisas permite constatar a inegável importância que as imagens - em suas múltiplas formas: fotografia, propaganda, charge, caricatura, pintura, filme - têm demonstrado para o alcance das sensibilidades, valores e códigos específicos de diferentes contextos históricos e para o trabalho de reconstrução da memória política e cultural do país. Isso não significa perceber as fontes visuais como mero reflexo de um período, mas mostrar-se cônscio da necessidade de rebuscar e decifrar os diversos significados que as imagens se revestem em conformidade com os diferentes tempos históricos.Este Simpósio Temático busca reforçar a tendência de valorização do recurso a fontes visuais e congregar pesquisas que foquem a imagem na história como documento e/ou material didático. Uma vez que as fontes visuais são reconhecidas como fenômenos culturais e sociais que expressam, através de suportes formais, representações sobre uma dada realidade social, mostra-se pertinente captar esse sentido nesse tipo de material.Propomos debater as imagens como discursos históricos e formas de participação política, assim como instrumentos facilitadores de possibilidades de inclusão social. Através desse ST, intentamos viabilizar o intercâmbio entre diferentes concepções teóricas e metodológicas, assinalando os múltiplos usos (político, social, cultural) das imagens por diferentes grupos sociais e os valores que estas buscam integrar e representar, constituindo-se formas de sociabilidades e ação política. Deste modo, procuramos reforçar a importância destas fontes e objetos, ampliando o leque de problemas a serem abordados pela História Cultural.
 
10. Teatro: Palco e Platéia - diálogos do sensível
Robson Corrêa de Camargo (UFG)
Maria Luiza Martini (UFRGS)
De que forma se constitui o sensível na relação palco- platéia? Como se forma no enredo de suas teias? Germina sensibilidades. Palco e platéia, relação de coletivos e indivíduos, permeada pelas diferentes visões que a cercam, atravessam mundo e gostos em diferentes versões. Ou, ao inverso, é do mundo que se manifesta em sensibilidades e sentimentos que o teatro se constrói e se mostra.Como se conforma a razão emocional e a emoção racional. Como constroem o processo cultural, político e social das relações do “teatro mundo”? O mini-simpósio Teatro: palco e platéia, diálogos do sensível, se propõe discutir e analisar em sua complexidade, várias possibilidades e intersecções do teatro e do mundo (e do mundo do teatro). O teatro é o lugar das ambigüidades, onde as coisas são tomadas em múltiplos sentidos. Seu nome já define esse processo, “lugar onde se vai para ver” e onde, simultaneamente, acontece o drama com seu complemento visto, real e imaginário. O que se mostra não é definido pelo diretor e o elenco, mas pelas possibilidades de recepção das platéias que o experimentam (ou não?).O teatro estabelece um sensível particular pois possibilita um diálogo entre a platéia que vê o que não se vê e finge não ver o que se vê. O corpo do ator empresta-se ao personagem que ali está... Todos trabalham para produzir a ilusão do que não é mostrado, estabelecendo uma cegueira cultural consentida. Apoiado na reflexão sobre o complexo teatral: quem se vê, o que se vê e o que se imagina, no espaço, no tempo e no imaginário instaura-se o fenômeno sensível. O teatro é uma apresentação mediada de uma experiência sem mediação (Cohn, 1980). Esta vivência ambivalente e paradoxal faz do teatro uma perambulação pelos caminhos do ser e do não ser. Muito mais, talvez, pelos caminhos do não ser. Afinal, como definir a dualidade palco platéia? Esta é a tarefa que deve freqüentar o centro da ribalta deste mini-simpósio Teatro: palco e platéia – diálogos do sensível. Façam seus textos senhores.
 
11. Leituras de Imagens Audiovisuais: sociabilidades e Sensibilidades Contemporâneas
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)
José Alberto Baldissera (UNISINOS)
Este mini-simpósio busca abarcar as imagens audiovisuais, produzidas por diferentes suportes (televisão, cinema, vídeo, internet), e suas relações com a história cultural. Pretende-se, a partir das imagens audiovisuais, perceber/problematizar a sociabilidade que marca os grupos em diferentes espaços e temporalidades, e que podem ser percebidas nos produtos audiovisuais (filmes, minisséries, documentários, VTs publicitários, etc.). Cada época se expressa dentro de códigos comportamentais, sentimentais, artísticos, etc. próprios. Para as gerações posteriores ao surgimento da imagem cinematográfica, tal marca é ainda mais forte, pois as imagens audiovisuais passaram a interagir com o modo como pensamos, nos expressamos, nos relacionamos com o meio que nos circunda. Ao mesmo tempo, elas marcam também o modo como passamos a organizar nossas memórias sobre o passado recente, e como passamos a reapresentar nossos conhecimentos de épocas anteriores ao seu surgimento. Por isso, além de registrar modos de sociabilidades contemporâneas ao seu desenvolvimento (ou reapresentar modos de sociabilidade anteriores a sua existência), as imagens audiovisuais também produzem uma nova sensibilidade social que deixa marcas no modo como produzimos conhecimento hoje em dia, seja ele acadêmico ou não. Daí a importância de, neste mini-simpósio, serem propostas análises de produtos audiovisuais dentro dos marcos histórico-culturais acima apresentados, bem como reflexões sobre essa conjuntura que, se não é nova, só vem recebendo atenção sistemática dos historiadores nas últimas duas décadas. Além das análises/leituras de produtos audiovisuais, o mini-simpósio também pretende abarcar as discussões teórico-metodológicas que reflitam sobre o audiovisual como fonte e objeto tanto da pesquisa histórica, quanto do ensino de história. Problematizar tais leituras e usos é importante, pois esses meios de comunicação há mais de um século vêm servindo como espaço de circulação/produção de memória e como difusor de discursos sobre a própria história. E para que o historiador se aproprie deles em suas atividades de pesquisa e ensino são necessários instrumentais teóricos e metodológicos que dêem conta das especificidades desses meios, bem como que reflitam sobre os pontos positivos e negativos da aproximação deles com o campo da história.
  
12. Experiências Musicais: processos de sensibilidade, sociabilidade e memória
Adriana Fernandes(UFG)
Márcia Ramos de Oliveira(UDESC)
Geni Rosa Duarte (UNIOESTE)
As experiências musicais constituem-se em eventos que conjugam de forma concomitante as sensibilidades do individual e do coletivo compondo um tecido social denso de significados. Através destas experiências os indivíduos desenvolvem e estabelecem formas de conhecimento e entendimento das realidades nas quais estão imersos e com isso novas relações são estabelecidas afim de se adequar e se adaptar a estas realidades de maneira rápida e eficiente, tendo em vista a sua alta mutabilidade. Estas experiências musicais são entendidas no sentido amplo, envolvendo o fazer musical, ao tocar/interpretar um instrumento, ao ouvir, ao se expressar sonora e corporalmente e, por isso também integra a dança, enquanto parte deste processo de experimentação musical, enquanto expressão corpórea. Assim, as experiências que envolvem a música trabalham de forma privilegiada o individual e o coletivo porque existe aí um diálogo tão intenso que as fronteiras se transformam em novos espaços marcados pela transitoriedade, criatividade e negociação de identidades. Estes novos espaços criados pelas experiências musicais se configuram física e psicologicamente pois envolvem as emoções externadas e compartilhadas e internamente experienciadas durante o processo, afetando e modificando o “eu”, as visões de mundo, os comportamentos e o arcabouço histórico-cultural onde elas ocorrem. É exatamente por criar novos espaços marcados pela transitoriedade que envolvem diretamente as sensibilidades que estas expressões também têm componentes políticos que afetam diretamente a vida destes indivíduos e destas coletividades. Procura-se compreender estes espaços também como expressão dos diferentes recursos midiáticos envolvendo a comunicação pela música através dos meios pelos quais é difundida e registrada, de acordo com os diferentes formatos em que venha a expressar-se, a exemplo da internet, da televisão, do cinema, dos Cds e Dvds, Lps, entre outros, constituindo-se em suporte da memória enquanto tal. Assim posto, este mini-simpósio tem por objetivo discutir e aprofundar o entendimento destas experiências musicais, quer seja do ponto de vista histórico, filosófico, psicológico, antropológico, sociológico e /ou artístico, porque possuem um papel significativo na conformação das sensibilidades e consequentemente afetando as sociabilidades e sua memória.
 
13. Entre o tilintar dos talheres e as cores das casacas: imaginário, representação e sensibilidade nos processos de independência do século XIX.
José Alves Neto (UNICAMP)
Eduardo José Reinato (UCG)
Com a aproximação das comemorações do bi-centenário das independências, faz-se necessário uma retomada do olhar que proponha uma rediscussão do imaginário e das representações contidas nesses processos. Tanto na América Espanhola quanto na Portuguesa, as lutas e articulações políticas produziram uma infinidade de representações, estratégias discursivas, bem como imagens incorporadas pela historiografia, sobre os pais fundadores e mesmo sobre o desenrolar das guerras e da formação dos Estados e processos políticos de geração dos Estados Nacionais. Por meio de diversas estratégias discursivas, caricaturas, imagens mentais e pictóricas construiu-se uma memória e uma formatação histórica para o processo de independência. A intenção desse mini-simpósio é o de permitir uma rediscussão sobre os processos de independência na América através de uma revisão das formas tradicionais de análise do fenômeno histórico das emancipações. Da mesma maneira, objetiva-se com esse mini-simpósio em resgatar o sistema de representações que compõem o imaginário social, ou seja, a capacidade humana e histórica de criar um mundo paralelo de sinais que se integra à produção de aspectos da realidade, recuperando, a partir dos processos de descolonização das Américas, a voz e sentido das fontes ainda pouco exploradas nos trabalhos tradicionais, como cartas, diários pessoais e políticos, representações pictóricas e literárias do acontecimento das independências. Apontamos a importância da complementaridade de fontes (escritas e iconográficas) em pesquisas de história dos processos de Independência na América, destacando as possibilidades de diálogo entre elas. Com os procedimentos metodológicos da história cultural, torna-se possível perceber as estratégias discursivas e as representações que permitiram os diversos atores dos processos de independência na América, a elaboração de um espaço privilegiado para captar, naquele momento histórico, as articulações com uma estética, bem como, as negociações de idéias e imagens com a construção de mitos fundadores do imaginário das nações emergentes.
 
14. Narrativas de Viagem e as Representações do Brasil
Kátia Aily Franco de Camargo (UFRN)
Karen Macknow Lisboa (UNIFESP)
O objetivo central deste mini-simpósio temático é refletir a respeito da importância da narrativa de viagem, seja ela real ou imaginária, dos relatos, das páginas avulsas vindas de além-mar e das representações nelas contidas sobre o Brasil, sobretudo, ao longo dos séculos XIX e XX. A viagem textual e o intercâmbio cultural daí decorrente, o diálogo entre a Literatura e a História e outras áreas afins contribuem enormemente para a elaboração da hetero-imagem e também da auto-imagem do brasileiro. Sendo a imagem aqui entendida como uma tomada de consciência do eu em contraposição ao outro; é a expressão, literária ou não, de um distanciamento significativo entre duas ordens de realidades culturais, ou, ainda, a representação de uma realidade cultural por meio da qual, aqueles que a elaboraram, revelam e traduzem seu próprio espaço cultural e ideológico.O estudo da imagem e/ou representação deve, portanto, se apegar menos ao nível de “realidade” de uma imagem, de sua fidedignidade, do que à sua conformidade com um modelo, um esquema cultural que lhe é preexistente na cultura que observa e não na cultura observada, da qual é importante conhecer os fundamentos, as composições e a função social. O momento histórico e a cultura determinam, assim, aquilo que pode ser dito sobre o outro.Procurar-se-á, dessa maneira, abarcar o tema da viagem ao Brasil e os sub-temas dele decorrentes (paisagem edênica, população autóctone, beleza feminina, ausência de civilização, etc.) como uma conexão entre tempos distantes, corpus variado e áreas diversas do saber.
 
15. Atlas das Emoções: cartografias, narrativas e topologias na história da arte e nas visualidades contemporâneas
Márcio Pizarro Noronha(UFG)
Rosemary Fritsch Brum(UFRGS)
A convergência entre as linguagens e os sistemas artísticos e estéticos, a presença dos elementos de uma cultura (áudio)visual e de signos transmidiais, paralelamente a uma sensibilidade de propagação dos modelos estéticos para a experiência e a existência cotidiana, com uma crescente exploração de formas literárias na ordenação da vida digital, por exemplo. Assim, ampliam-se os procedimentos e as estratégias estéticas, dissolvem-se especificidades das linguagens tradicionais no amplo campo da estética pop-internacional e permite-se a geração de novas formas arte, tais como a recente ascensão dos grafites, h.q. e, mais recente, do videogame. Sensibilidades, narrativas e sociabilidades se constituem. Fundamentando-se na experiência dos procedimentos de leitura das singularidades e da subjetivação (nas matrizes do trajeto de uma história cultural da psicanálise e seus desdobramentos), procuramos abordar esta constituição tal como se fora um trajeto (cartografia), na co-figuração de tramas, fluxos e na organização de comunidades de compartilhamento, articulados em regimes, ordens e estruturas da linguagem (topologias) de formações subjetivas, formando o que a historiadora GIULIANA BRUNO denomina de “Atlas da Emoção”. Os objetos são os mais diversos, envolvendo desde ações culturais e performances (sociais e artísticas), oralidades e chegando à constituição de regimes textuais – blogs, programas de mensagem, sites de comunicação, programas baseados em interatividade. O simpósio, parceria iniciada no ano de 2007 no encontro internacional de história (Goiânia) bem como no encontro internacional da Abralic (2006) e no regional de SP (2007), acompanha a sinalização expansiva do crescente número de pesquisas em linguagens e, mais especialmente, no campo das artes e da História da Arte que estão sendo desenvolvidas nos programas de pós-graduação da área. A perspectiva envolve a apresentação de estudos teóricos, metodológicos, analíticos, descritivos, de crítica e interpretação e, ainda, quando envolver processos artísticos, a abertura para as formas experimentais nos regimes textuais. São questões: o entrecruzamento arte-cultura no campo da pesquisa histórica, as relações entre teorias da visualidade e cultura visual e as tensões/reinvenções nas relações entre linguagens artísticas e experiência.
 
 
 
16. História, Cultura e Viveres Urbanos
Luiz Felipe Falcão (UDESC)
Robson Laverdi (UNIOESTE)
Cidades são construtos que combinam concentração demográfica num território contíguo, divisão social do trabalho no seu interior e diferenciação sociocultural entre seus habitantes. Na contemporaneidade, com o advento das grandes cidades, é possível agregar a isto o predomínio de uma economia monetária regendo a produção e a circulação das mercadorias, associado a um modo intelectualizado de lidar com a vida e à afirmação de dois tipos contraditórios, mas em certo sentido complementares, de individualismo, ou seja, de um lado aquele que acentua a ruptura de quaisquer vínculos que subordinam uns indivíduos a outros, buscando assim garantir liberdade de movimento e tratamento igualitário para todos, e, de outro lado, aquele que procura assegurar a todo custo a distinção conferida pelas singularidades, rechaçando por esta via as tendências à padronização. Com isto, torna-se evidente uma das principais características da cidade, notadamente da cidade contemporânea, que é a dela se constituir em lugar do encontro de estranhos e da instituição de territórios e fronteiras conformadas por linhas ora permeáveis, ora intransponíveis, nem sempre visíveis e palpáveis, mas claramente sentidas e permanentemente embaralhadas. Em outras palavras, local do estabelecimento de relações tecidas por diferentes indivíduos e grupos que se aproximam por atração, curiosidade ou necessidade e se acham separados ou se separam a todo instante pela condição de nascidos nela ou fora dela, pelas divisões (sociais, culturais, etárias, de gênero ou de outros matizes) que abriga, com toda a gama de tensões e conflitos daí derivados, pelas incertezas e inseguranças que estimula e potencializa. Espaço, enfim, que, inserido numa determinada temporalidade, comporta variados viveres manifestos em sinais, códigos e experimentações que os referenciais da História ajudam a perceber e a interpretar.
 
17. Sensibilidades e Sociabilidades no Ensino de História
Jocyléia Santana dos Santos (UFT)
Maria de Fátima Oliveira (UEG)
O ensino de História vem passando por um longo e contínuo processo de revisão e reformulação devido principalmente à ampliação das fronteiras do conhecimento histórico. A análise de tal processo não pode ser feita sem levar em conta as mudanças ocorridas nos métodos da pesquisa histórica e na diversificação das fontes e das abordagens que se refletiram na escrita e no ensino da disciplina História. Nesse ínterim, verifica-se a tentativa de incorporação de uma pluralidade de manifestações de experiências humanas – cinema, literatura, música, televisão, imprensa, teatro e outros - ao ensino de História, criando a necessidade de se rever o processo de ensino-aprendizagem. Como o exercício pedagógico acompanha as mudanças que se processam no “fazer histórico”, torna-se imperativo pensar sobre essa relação e sobre uma prática de ensino de História que se adeque às novas exigências que se apresentam. Inerente a essa discussão estão diretrizes presentes nas políticas educacionais e especificamente, nos Parâmetros Curriculares Nacionais e na avaliação do livro didático. O Mini-Simpósio “Sensibilidades e Sociabilidades no Ensino de História” objetiva, portanto: a) agregar profissionais de História cujas preocupações sejam as mudanças conceituais, os projetos e as práticas do ensino de história; b) problematizar a teoria a partir da ação pedagógica concreta do conhecimento histórico; c) possibilitar uma reflexão sobre tais mudanças por meio de discussões e criticas e d) sugerir propostas com base em experiências vivenciadas em sala de aula. As sensibilidades refletem a necessidade de novas propostas e as sociabilidades, as trocas de experiências pedagógicas nas práticas e táticas do ensino de História.